Ricardo artigo2RICARDO RIBEIRO

Reconhecer que a corrupção é um tipo de infecção generalizada não implica em passar a mão na cabeça de ninguém. Mas é fundamental fazer o diagnóstico correto e usar o remédio adequado. Não é só o braço esquerdo que está contaminado, é o corpo inteiro.

Os apontados esquemas entre empresas financiadoras e políticos financiados não se restringem aos altos cargos federais. Relações de natureza espúria existem há tempos em todos os cantos desse país, tornando a política um famigerado balcão de negócios, no qual o interesse da sociedade é o que menos pesa na balança.

Na teoria, os mandatos parlamentares servem para que o povo seja representado. Na prática, os eleitos se tornam porta-vozes e verdadeiros testas de ferro daqueles que investem em suas campanhas. Daí ser interessante pensar com seriedade sobre o financiamento público, desde que seja totalmente vedada a participação de pessoas jurídicas no processo eleitoral.

A corrupção não é uma questão meramente de comportamento, mas uma doença oportunista, dessas que se valem da fragilidade imunológica do paciente para acabar com seu organismo. Onde houver brechas, ela estará presente, destruindo cada célula.

Isso significa que o brasileiro não é um corrupto por natureza, mas que o Brasil é um país no qual estão criadas todas as condições para a corrupção se estabelecer e ramificar. É necessário aumentar a fiscalização e punir com severidade os larápios. Acima de tudo, é preciso acabar com uma das maiores fontes de traquinagens nesse país, que é a forma de fazer campanha política.

As campanhas cinematográficas, caríssimas, ao passo que inibem candidatos de baixo poder aquisitivo, exigem a captação de recursos junto a empreiteiras, empresas de transporte coletivo, de coleta de lixo, fornecedores de medicamentos, entre tantas outras companhias. Elas não investem em candidaturas por desejo de fortalecer a democracia. Trata-se de um jogo de interesses que enlameia a política, de Brasília a Chorrochó.

Reconhecer que a corrupção é um tipo de infecção generalizada não implica em passar a mão na cabeça de ninguém. Mas é fundamental fazer o diagnóstico correto e usar o remédio adequado. Não é só o braço esquerdo que está contaminado, é o corpo inteiro.

Há ameaça da falência de múltiplos órgãos e o tratamento não é fácil. Exige cortar na própria carne, mudar os hábitos, extirpar o mal pela raiz. No entanto, é desalentador perceber que não existe vontade política efetiva de salvar o paciente. Tem muita gente querendo usar placebo para que a enfermidade não seja curada. São os parasitas que precisam da doença, pois é dela que vivem.

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