Foto: Felipe Oliveira/ E.C Bahia

Correio

No primeiro Ba-Vi do ano, tudo igual: 1×1 na Fonte Nova, neste domingo (3), pela terceira rodada da Copa do Nordeste. Mas o empate no placar não reflete o que foi o jogo. Brigado, suado, e de dois tempos bem distintos.

O duelo teve dois personagens. O primeiro, um artilheiro experiente, de 29 anos, que fez o seu segundo gol em Ba-Vis. Mas esse foi especial: de bicicleta, Gilberto abriu o placar para o Bahia aos 18 minutos do primeiro tempo. Sexto gol dele em quatro jogos em 2019.

E o segundo um garoto, de apenas 20 anos, que estava fazendo o seu primeiro jogo não só pelo Vitória, mas como profissional. Matheus Rocha, lateral direito emprestado pelo Palmeiras, deixou tudo igual no placar com um golaço de fora da área também aos 18, mas da etapa final.

O Bahia volta a campo na quarta-feira (6), às 21h15, fora de casa, pelo Campeonato Baiano. O Vitória joga no mesmo dia, porém mais cedo, às 19h30, no Barradão, contra o Jequié.

TRICOLOR NA FRENTE

O Bahia, como favorito, fez o seu papel e se impôs desde o minuto um do jogo. Lançou seus homes à frente – o lateral esquerdo Moisés, por exemplo, atuou boa parte do tempo como um atacante – e limitou o espaço do Vitória a um quarto do campo.

Com tamanha agressividade e qualidade técnica superior, as chances apareceram. A primeira aos seis. Artur cobrou falta na direção da área e Moisés cabeceou. Ronaldo pegou à queima-roupa. No rebote, o lateral tentou de novo, mas o goleiro fez outra linda defesa.

O Leão não conseguia sair daquele quarto de campo à frente da defesa. Se recuperava a bola, logo a perdia com passes equivocados. O quinteto de meio-campo – Wesley, Leandro Vilela, Ruy, Andrigo e Yago – estava numa tarde especialmente terrível.

Os passes errados do Vitória facilitavam a vida do ataque tricolor. Aos 12, Wesley errou na saída de bola e ela ficou com Rogério. O atacante arriscou da intermediária mesmo e obrigou Ronaldo a fazer mais uma linda defesa.

Um embate estava especialmente desequilibrado: Jeferson x Artur. O meia direita do Bahia se posicionava com frequência às costas do lateral rubro-negro, improvisado na esquerda por falta de peças. Logo o jogador mais perigoso do Esquadrão neste início de ano…

Aos 18, Gregore enxergou essa movimentação de Artur e acertou um lindo lançamento para ele, do meio-campo para a área. O meia escorou de cabeça para Gilberto no primeiro pau. O camisa 9, que já vinha passando pela bola, engatou uma bicicleta, direto para a rede. Um golaço.

Após o gol, o Bahia diminuiu completamente o ritmo. Ainda assim, o Vitória não deu um chute com perigo. Pelo contrário: a chance mais clara seria do tricolor.

Aos 41, Wesley, de novo ele, perdeu a bola, desta vez no ataque, o que deu o campo para o Esquadrão puxar o contra-ataque com três tricolores contra dois rubro-negros. Gregore deixou Rogério cara a cara com Ronaldo, mas o atacante chutou para fora.

VITÓRIA EMPATA

No começo da etapa final, ficou mais claro que a ideia do Bahia era essa, mesmo: baixar o ritmo e atuar nos erros do adversário. Aos três, o Vitória errou na saída de bola e ela ficou com Rogério. O atacante avançou, tabelou com Moisés e chutou colocado. Ronaldo pegou mais uma.

Aos 11, o rubro-negro perdeu a bola no campo de ataque e Artur foi lançado em profundidade pela direita. Ele entrou na área, cortou para o meio e chutou de esquerda: Ronaldo fez milagre e a bola ainda bateu no travessão.

Só que o futebol não tem ciência. Ou se tem, é difícil de compreendê-la. Bem no momento em que o Bahia mais cozinhava o jogo, aos 18 minutos da segunda etapa, o Vitória tirou um coelho da cartola. Ou melhor, um pombo sem asa.

Depois de um escanteio, a zaga do Bahia afastou e a bola sobrou para Matheus Rocha na intermediária. O lateral direito disputou pelo alto e chutou de primeira, de direita, de muito longe, direto no ângulo esquerdo de Douglas. Mais um golaço no clássico.

Aos 35, Enderson Moreira tentou dar uma injeção de ânimo na sua equipe, algo que o torcedor já pedia desde os 25 minutos. Fernandão, principal contratação do tricolor neste início de ano, entrou em campo para a ovação geral. No seu primeiro lance, um cartão amarelo.

Mas não teve injeção de ânimo que desse jeito. O Bahia, já cansado, não conseguiu repetir a pressão dos minutos iniciais. E o Vitória se superou na raça para alcançar um empate com um bom gosto de triunfo.

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