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:: ‘evangélicos’

O PREFEITO DE ITABUNA E O SANTO PADROEIRO

Ricardo artigo2RICARDO RIBEIRO

“Vida difícil essa de prefeito. Mas insistimos em ficar com a lucidez do bispo. Político não deve ser criticado por suas preferências religiosas, mas pela forma como governam. Nesse aspecto, aliás, haja penitências para nosso prefeito cumprir!”

O Monsenhor Moisés do Couto, pároco da Catedral de São José em Itabuna, criticou o prefeito da cidade, Claudevane Leite, por  mais uma vez não comparecer aos eventos em louvor ao santo. O chefe do executivo, evangélico, nunca foi à novena ou à procissão, disputada palmo a palmo por quem anda à caça de votos.

Por sua vez, o bispo diocesano Dom Ceslau Stanula, disse ter sido mal compreendido quando fez observações sobre a ausência dos políticos no novenário, em contraponto à sua expressiva presença no cortejo. Segundo o titular da diocese, os políticos devem ser criticados se não cumprem de maneira satisfatória os mandatos para os quais foram eleitos. Jamais por deixar de ir à missa ou à procissão.

Tem razão o bispo. Numa época em que a política está como nunca marcada pela mediocridade e desfaçatez, realmente não tem cabimento criticar um político por, até em prejuízo da própria popularidade, se abster de participar de um ato religioso fundamentado em suas convicções. E aqui a observação é precisamente para o prefeito de Itabuna, que é evangélico e se mantém firme na decisão de não fazer número em atos católicos.

Respeitar todas as manifestações religiosas e seus seguidores é obrigação do prefeito, que não foi eleito só pelos evangélicos nem apenas para governar para esse público. O respeito, no entanto, não implica na participação em celebrações que devem estar circunscritas a quem segue determinada religião.

Os apegados às liturgias do cargo certamente serão contra esse posicionamento, mas – entre a liturgia e a autenticidade – optamos por esta última. Afinal, gestos meramente cerimoniais e figurativos não têm nada a ver com atos de fé.

As críticas ao prefeito só não são de todo injustas porque, durante a campanha eleitoral, ele não se fez de rogado na hora de  recorrer a uma providencial visita ao bispo, com direito a foto. Naquele momento da disputa acirrada pelo poder, era imprescindível demonstrar que o candidato respeitava os católicos e, caso eleito, governaria para quem ora e para quem reza.

Claudevane Leite se elegeu e a ausência na primeira procissão após assumir o cargo foi vista por alguns católicos não só como desrespeito, mas também como falta de cortesia com D. Ceslau. Para afastar a pecha de intolerante, pouco tempo depois, ainda no primeiro ano de governo, o prefeito foi convencido a comparecer a um caruru em um terreiro de candomblé. E aí quem caiu de pau foram os evangélicos.

Vida difícil essa de prefeito. Mas insistimos em ficar com a lucidez do bispo. Político não deve ser criticado por suas preferências religiosas, mas pela forma como governam. Nesse aspecto, aliás, haja penitências para nosso prefeito cumprir!




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