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:: ‘Macapá’

DISCÍPULOS DO CACHORRO

Ricardo artigo2Ricardo Ribeiro

Aprender com os próprios erros é atitude recomendável, mas aprender com os erros (e acertos) dos outros é sinal de maior inteligência. Pelo mundo afora, vários países e grandes metrópoles já enfrentaram problemas com o abastecimento de água ou conseguiram antevê-los e evita-los. Eles sabem que o recurso é finito e que, para não ficar desprovido do mesmo, é preciso usá-lo com prudência e parcimônia.

Uma excelente reportagem mostra que a cidade de Nova York enfrentou crise de abastecimento na década de 90, mas conseguiu a proeza de reduzir em um terço o consumo de água em 25 anos, ao mesmo tempo em que sua população crescia em 1 milhão de habitantes.  Fez mágica? Não, simplesmente melhorou o sistema de distribuição, com o objetivo principal de reduzir de maneira drástica o desperdício.

Ao lhe perguntarem sobre o porquê de investir em uma melhor gestão do sistema, ao invés de buscar novos mananciais e realizar obras caras, um antigo gestor do sistema de abastecimento da cidade americana afirmou que a segunda opção pode ser comparada ao cachorro que corre atrás do próprio rabo.

Saber que índices de desperdício de água não passam de 7% na Alemanha e de 2% no Japão é de matar qualquer brasileiro decente de vergonha. Num mundo globalizado, recursos e tecnologia para atingir aqueles percentuais estão ao acesso de todas as nações, mas por aqui, infelizmente, não se nota grande interesse em aprender com o acerto dos bons. Prefere-se, de maneira estúpida, imitar o cachorro!

De acordo com o Instituto Trata Brasil, a perda de água tratada nas 100 maiores cidades brasileiras chega a 39,4%. Se esse já é um número de causar vexame, o que dizer dos 70,4% de desperdício em Porto Velho (RO) e 73,91% em Macapá (AP). São Paulo, que enfrenta a maior crise de abastecimento de sua história, joga pelos vazamentos nada menos que 30% da água retirada de seus combalidos reservatórios.

No caso da capital paulista, a situação será enfrentada à maneira “canina”: com obras para captar água em novos mananciais. Quanto à deficiência do sistema, não se tem notícia de qualquer iniciativa digna de nota.

A propósito, em nossa querida Itabuna as informações disponíveis indicam que as perdas de água tratada ficam em torno de absurdos 50%, muito em função de uma rede de distribuição obsoleta e da falta de capacidade de investimento da Empresa Municipal de Água e Saneamento. A velha Emasa passa a vida correndo atrás do próprio rabo.

Vários itabunenses, principalmente os que moram em áreas mais elevadas, já convivem há muito tempo com a falta de água. Por aqui, também não se tem notícia de ações para reduzir o considerável volume que é desperdiçado, mas a solução vem aí: em breve, se tudo der certo, teremos a barragem do Rio Colônia e um aumento considerável na quantidade de água a ser distribuída… E jogada fora, certamente.

É ou não é uma cachorrada?




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