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:: ‘opinião’

PREFEITO NA ENCRUZILHADA

encruzilhada

Ter três caminhos às vezes é como não ter nenhum

Opinião do BA24Horas

O grande desafio da política itabunense hoje é descobrir qual o projeto do prefeito Claudevane Leite para a sucessão municipal. Embora afirme ser candidato, o prefeito não age como se realmente fosse. Pelo contrário, mostra-se ausente e até desgostoso com o mandato. Há quem acredite que ele não vê a hora de livrar-se de um fardo que considera incômodo.

Nessa falta de coerência entre o que afirma e o modo como se comporta, Claudevane dá brechas ao surgimento de outros postulantes em seus próprios domínios. E nesse ponto há outro problema, pois o prefeito já teria se comprometido a apoiar um nome do PCdoB, caso ele mesmo optasse por não disputar a reeleição. A despeito disso, o secretário de Transportes e Trânsito, Roberto José da Silva, que acumula o comando da Fundação de Cultura, sonha com a chefia do executivo municipal e, de quebra, com o apoio do prefeito.

O fato é que, no que tange à sucessão, o governo tem hoje três caminhos: a candidatura de Claudevane Leite, na qual poucos acreditam; o apoio oficial a um nome do PCdoB, conforme compromisso assumido; ou a indicação de Roberto José, que poderá ser candidato pelo PSD. Caso a terceira opção prevaleça, estará decretada a ruptura entre o prefeito e os comunistas, que tiveram papel estratégico na vitória de 2012.

Para os articuladores políticos do prefeito, a enorme dificuldade é definir uma linha de ação que fortaleça o governo e crie as bases para consolidar uma candidatura em 2016. Ainda que ajude a confundir os adversários, as três vias abertas por Claudevane Leite impedem a construção de um discurso. Em algum momento, já bem próximo, elas terão que se unificar ou o alcaide acabará perdido em uma encruzilhada.

A oposição, penhoradamente, agradece.

CORDIER, O “ANTIPOPULISTA”

Ricardo RibeiroRicardo Ribeiro | ricardo.ribeiro10@gmail.com

A política no Brasil sempre se confundiu com a prática mais deslavada do clientelismo. Cultiva-se por aqui a imagem do político populista, aquele que entende pouco de gestão e se estabelece não pela competência, mas por atender interesses menores e pelos conhecidos tapinhas nas costas.

Na década de 60, Itabuna teve um prefeito com esse perfil. Seu nome era José de Almeida Alcântara, uma espécie de precursor do populismo em terras grapiúnas. Era o tipo idolatrado pelo povo, por isso se criou um alvoroço ao final de seu governo, pois muitos achavam necessário escolher um sucessor com a mesma empatia.

Com a morte de Alcântara, seu grupo político acabou identificando na pessoa de Fernando Cordier o sucessor ideal. Seu perfil, porém, era bem diferente do antecessor.

Fazendeiro e rico, Cordier era neófito em matéria de artimanhas políticas, mas venceu a eleição graças à força do grupo de Alcântara. Ao tomar posse, o novo prefeito ficou surpreso com um ritual comum à época: o de receber os cidadãos itabunenses em audiências individuais, nas quais o o chefe do executivo municipal ouvia pedidos os mais diversos, notadamente telhas, tijolos e sacos de cimento.

Um dia, a diligente secretária de Cordier lhe avisou que já havia formado uma fila de pedintes, os quais aguardavam ansiosamente o crucial momento de ter uma conversa frente a frente com o prefeito. Cordier assustou-se e mandou que ela reunisse todo mundo em uma sala, pois a audiência seria coletiva.

“Mas como?!”, indagou a secretária, naturalmente supondo que as pessoas ficariam constrangidas em expor seus pedidos em público.

“Pois faça como estou lhe mandando”, cortou o alcaide.

Reunidos os cidadãos, Cordier entrou na sala, postou-se à frente do público e, antes que começasse a “pidança”, foi logo dizendo:

“Vejam bem, senhores, isso aqui é uma prefeitura e o recurso disponível é para tocar as obras, manter a educação e a saúde e pagar os funcionários. Nós não temos fábrica de telha, nem de cimento e muito menos olaria. Passar bem!”.

Depois disso, Cordier nunca mais foi procurado pelos pidões e também jamais voltou a se eleger prefeito de Itabuna. Morreu no último dia 14 de junho, aos 84 anos, sendo lembrado por muitos como um gestor correto.

ANTES TARDE DO QUE NUNCA

Há sinais de que o governo do prefeito Claudevane Leite acordou, após longo período de sonolência no qual as demandas da comunidade aguardaram em vão por soluções, e a impaciência se transformou em antipatia geral com o gestor.

Nos últimos meses, porém, a Prefeitura conseguiu marcar pontos importantes, principalmente com algumas intervenções no trânsito. Qualquer melhoria nesse setor se torna estratégica em uma cidade na qual os engarrafamentos lideram o ranking de problemas, juntamente com a violência e a precariedade da saúde.

Outras ações que se destacam nessa reação aparecem na infraestrutura, com a pavimentação de ruas, a exemplo da ligação entre a Avenida Juracy Magalhães e a Avenida Ilheus e entre esta e o bairro São Roque. São pequenas obras, mas elas vinham sendo reclamadas há tempos pela população e têm sua relevância.

O governo também anunciou a assinatura da ordem de serviço para a pavimentação do bairro São João Batista (antigo loteamento Parque São João) e realizará uma obra de contenção de encosta no bairro Vila das Dores, seguida da duplicação de um trecho da Avenida Juracy Magalhães, entre o Bairro de Fátima e o condomínio Jardim das Acácias.

Fora a questão da segurança para os moradores da vila e da melhoria das condições de tráfego no trecho da avenida, a intervenção deve contribuir significativamente para reduzir a feiura de um dos acessos a Itabuna (cidade que certamente está entre as que possuem os acessos mais horríveis de toda a Bahia).

A reação é visível. Resta saber se o governo, profundamente desgastado com a população, conseguirá colher a tempo os frutos desse despertar. O prefeito que se elegeu com o mote da mudança e passou grande parte de seu governo sem fazer nada além de mais do mesmo tem agora a missão de reconquistar uma população altamente insatisfeita.  

“EU JURO QUE NÃO SABIA DE NADA!”

pedro arnaldoPEDRO ARNALDO MARTINS

Ao ler a manchete “O PT roubou demais e se esgotou”, da recente entrevista do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, a visão que me vêm à cabeça é da o saudoso Leonel Brizola (22.01.1922 – 21.06.2004), líder inconteste de uma geração de revolucionários, político honrado, homem de bem. Na citada visão, deparo-me com Brizola girando no túmulo discordando das afirmações de Lupi.

Ao afirmar que “a gente não quer ser um rato, que foge do porão do navio quando entra a primeira água, mas também não queremos ser o comandante do Titanic, que ficou no barco até ele afundar”, o pedetista parece se contradizer. Pois, até onde se tem público o mesmo foi expurgado do ministério e, mesmo sendo o avalizador do atual ministro do Trabalho, Manoel Dias, não se pode dizer que a participação do ex-ministro no “governo corrupto” foi passiva aos muitos doces que adoçaram a boca de tantas crianças do governo e do Planalto.

As afirmações do ex-ministro do Trabalho levam a duas reflexões. A primeira, de que roubar pouco pode, desde que, também seja sócio da “fábrica de chocolate”. E a segunda, que parece que só agora o presidente nacional do PDT descobriu que o PT rouba, ou que isso só está acontecendo no governo Dilma, isentando o “naco” de responsabilidade de Lula. Daí, de imediato, lembra-me uma frase do ex-presidente Luiz Inácio: “eu não sabia de nada!”.

O que no mínimo se esperava após a entrevista era uma reação dos petistas às afirmativas de Carlos Lupi, seja uma indignação, seja uma posição mais firme contra o PDT, nesse momento em que o governo aventa uma redução dos ministérios, ou até mesmo uma cara feia. Nada! Parece que os membros do Partido dos Trabalhadores começam a perceber que a casa caiu. Perguntar não ofende: quem cala, consente?

 

Pedro Arnaldo Martins é presidente do Diretório do PMDB de Itabuna.

OS NÚMEROS NÃO MENTEM

É bastante conhecida em política a máxima de que “os números não mentem”. Portanto, abstraídas as paixões e preferências que muitas vezes costumam contaminar as análises do cenário, é fundamental concentrar-se na matemática.

Certo que é cedo para prognósticos eleitorais, mas nem por isso a “fotografia” deve ser desprezada. E um dos detalhes da imagem obtida pelo sociólogo Agenor Gasparetto, da Sócio Estatística, em pesquisa realizada entre os dias 16 e 18 passados, em Itabuna, é o de que  a avaliação do governo itabunense vai de mal a pior.

Nada menos que 66% dos 900 entrevistados classificam a gestão do prefeito Claudevane Leite como ruim ou péssima. Quando perguntados sobre a forma do chefe do executivo governar, 74,8% afirmam desaprová-la. É um número altíssimo, que revela decepção generalizada e o desencanto de quem se sente frustrado, depois de depositar toda a sua fé em um prefeito que vendeu a imagem da mudança.

Combinada com a reprovação crescente à política e aos ocupantes do poder, de Tabocas a Brasília, o mau humor do itabunense favorece pré-candidatos de oposição e, como é de se imaginar, cria barreiras dificílimas para nomes associados ao(s) governo(s).

Por impedimentos da legislação eleitoral, fiquemos por aqui, limitados aos índices relativos à gestão, sem adentrar nos números referentes à futura disputa de 2016. De qualquer modo, ainda é cedo… Mas para alguns talvez seja tarde demais!

OS VIEIRA LIMA SÓ OBSERVAM

Ricardo Ribeiro

Os irmãos Vieira Lima – Geddel e Lúcio – não se manifestaram após o calundu do PMDB itabunense, diante do convite feito por Lúcio para que o ex-deputado e ex-prefeito de Itabuna Geraldo Simões se filiasse ao partido.

Geraldo também está quieto, na muda. Diz que se encontra em momento de reflexões para decidir o caminho que irá tomar.

Já no ninho peemedebista, o clima é de alvoroço. Houve quem chamasse Lúcio Vieira Lima de irresponsável e lhe cobrasse explicações, e teve também gente afirmando que o diretório municipal tem autonomia para tocar sua própria vida, sem se submeter a decisões “de cima para baixo”.

A gritaria chega aos irmãos Vieira Lima, mas eles optaram pelo silêncio. Uma mudez que, com todo respeito aos peemedebistas itabunenses, não parece de aceitação, mas de desdém.

Aliás, vale o registro de que a posição contrária à filiação de Geraldo Simões pode não ter a imaginada unanimidade no PMDB local. Uma forte liderança do partido na cidade diz, à boca pequena, que não dá para se entregar assim de bandeja ao ex-deputado, mas – a depender do rumo dos acontecimentos, numericamente falando – tudo pode se ajeitar no tempo certo.

A paciência anda ao lado da política e é com ela que os irmãos Vieira Lima jogam para apascentar os inquietos com a filiação de Geraldo. É certo também que o ex-deputado tem outros partidos para se abrigar, caso venha realmente a sair do PT, mas é difícil imaginar que será a rejeição do diretório local do PMDB que o impedirá de entrar nesta sigla.

Outra máxima bastante apreciada na política é a de que a força maior cessa a menor. Geddel e Lúcio agem com a tranquilidade de quem tomará a decisão que quiser, quando quiser.

SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Ricardo artigo2RICARDO RIBEIRO

Não se trata aqui de defesa ingênua de menores infratores, pois é fato que muitos são facínoras da pior espécie. Tratá-los simplesmente como vítimas do sistema é, com todo respeito, frescura demais.

Pelo clima transilvânico em que vive o Congresso Nacional, tudo indica que a maioridade penal alcançará gente mais nova. A redução já passou com folga na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e o reacionarismo galopante tente a consagrá-la.

Não é uma ideia que busque efetivamente melhorar o país ou torná-lo mais seguro. O raciocínio tem a ver simplesmente com a intenção de punir com maior rigor os adolescentes que cometem crimes; hoje chamados, no caso dos menores, atos infracionais.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que já atingiu sua maioridade há algum tempo, menor de 18 não comete crime, mas ato infracional. E não cumpre pena, mas sim medida socioeducativa. Os maiores, estes sim podem ser criminosos e, se condenados, vão cumprir uma pena que visa, teoricamente, recuperá-los para o convívio em sociedade.

Como hoje é 1º de abril, acabamos de destacar duas eloquentes lorotas sacramentadas pelo ordenamento jurídico pátrio. Uma é a mentira da medida socioeducativa do ECA e a outra é a função ressocializadora da pena. É entre essas duas falácias que os hoje menores se situam.

Lamenta-se que, em meio a posições rígidas e incomunicáveis, perca-se a oportunidade de se travar um debate sério e consequente. Pois, se não deixam de ter razão aqueles que defendem uma punição mais rigorosa aos atuais menores infratores, o mesmo acerto não falta àqueles que condenam a redução da maioridade, posto que inócua.

Apenar os maiores de 16 atende um clamor de parcela majoritária da sociedade, assustada com a violência e sem a menor ideia de qual dos múltiplos focos deve ser atacado primeiro para debelar o incêndio. Um debate profundo e verdadeiro sobre causas do problema provavelmente levaria a sociedade e os ilustres congressistas a buscar outras saídas, muito além do óbvio.

Não se trata aqui de defesa ingênua de menores infratores, pois é fato que muitos são facínoras da pior espécie. Tratá-los simplesmente como vítimas do sistema é, com todo respeito, frescura demais. A questão é encontrar caminhos que realmente diminuam a criminalidade, a começar por transformar aquelas pegadinhas de 1º de abril, acima mencionadas, em verdades institucionais.

Reduzir a maioridade e simplesmente depositar jovens marginalizados em penitenciárias é, como alguém já disse outro dia, implantar uma espécie de “Fies do crime”. É lamentável que, no meio do tumulto político que o país enfrenta, tenha muita gente querendo mais jogar para torcida do que discutir soluções reais para os problemas do país.

E ainda há quem pense que o Congresso tem apenas um palhaço!

INFECÇÃO GENERALIZADA

Ricardo artigo2RICARDO RIBEIRO

Reconhecer que a corrupção é um tipo de infecção generalizada não implica em passar a mão na cabeça de ninguém. Mas é fundamental fazer o diagnóstico correto e usar o remédio adequado. Não é só o braço esquerdo que está contaminado, é o corpo inteiro.

Os apontados esquemas entre empresas financiadoras e políticos financiados não se restringem aos altos cargos federais. Relações de natureza espúria existem há tempos em todos os cantos desse país, tornando a política um famigerado balcão de negócios, no qual o interesse da sociedade é o que menos pesa na balança.

Na teoria, os mandatos parlamentares servem para que o povo seja representado. Na prática, os eleitos se tornam porta-vozes e verdadeiros testas de ferro daqueles que investem em suas campanhas. Daí ser interessante pensar com seriedade sobre o financiamento público, desde que seja totalmente vedada a participação de pessoas jurídicas no processo eleitoral.

A corrupção não é uma questão meramente de comportamento, mas uma doença oportunista, dessas que se valem da fragilidade imunológica do paciente para acabar com seu organismo. Onde houver brechas, ela estará presente, destruindo cada célula.

Isso significa que o brasileiro não é um corrupto por natureza, mas que o Brasil é um país no qual estão criadas todas as condições para a corrupção se estabelecer e ramificar. É necessário aumentar a fiscalização e punir com severidade os larápios. Acima de tudo, é preciso acabar com uma das maiores fontes de traquinagens nesse país, que é a forma de fazer campanha política.

As campanhas cinematográficas, caríssimas, ao passo que inibem candidatos de baixo poder aquisitivo, exigem a captação de recursos junto a empreiteiras, empresas de transporte coletivo, de coleta de lixo, fornecedores de medicamentos, entre tantas outras companhias. Elas não investem em candidaturas por desejo de fortalecer a democracia. Trata-se de um jogo de interesses que enlameia a política, de Brasília a Chorrochó.

Reconhecer que a corrupção é um tipo de infecção generalizada não implica em passar a mão na cabeça de ninguém. Mas é fundamental fazer o diagnóstico correto e usar o remédio adequado. Não é só o braço esquerdo que está contaminado, é o corpo inteiro.

Há ameaça da falência de múltiplos órgãos e o tratamento não é fácil. Exige cortar na própria carne, mudar os hábitos, extirpar o mal pela raiz. No entanto, é desalentador perceber que não existe vontade política efetiva de salvar o paciente. Tem muita gente querendo usar placebo para que a enfermidade não seja curada. São os parasitas que precisam da doença, pois é dela que vivem.

O PREFEITO DE ITABUNA E O SANTO PADROEIRO

Ricardo artigo2RICARDO RIBEIRO

“Vida difícil essa de prefeito. Mas insistimos em ficar com a lucidez do bispo. Político não deve ser criticado por suas preferências religiosas, mas pela forma como governam. Nesse aspecto, aliás, haja penitências para nosso prefeito cumprir!”

O Monsenhor Moisés do Couto, pároco da Catedral de São José em Itabuna, criticou o prefeito da cidade, Claudevane Leite, por  mais uma vez não comparecer aos eventos em louvor ao santo. O chefe do executivo, evangélico, nunca foi à novena ou à procissão, disputada palmo a palmo por quem anda à caça de votos.

Por sua vez, o bispo diocesano Dom Ceslau Stanula, disse ter sido mal compreendido quando fez observações sobre a ausência dos políticos no novenário, em contraponto à sua expressiva presença no cortejo. Segundo o titular da diocese, os políticos devem ser criticados se não cumprem de maneira satisfatória os mandatos para os quais foram eleitos. Jamais por deixar de ir à missa ou à procissão.

Tem razão o bispo. Numa época em que a política está como nunca marcada pela mediocridade e desfaçatez, realmente não tem cabimento criticar um político por, até em prejuízo da própria popularidade, se abster de participar de um ato religioso fundamentado em suas convicções. E aqui a observação é precisamente para o prefeito de Itabuna, que é evangélico e se mantém firme na decisão de não fazer número em atos católicos.

Respeitar todas as manifestações religiosas e seus seguidores é obrigação do prefeito, que não foi eleito só pelos evangélicos nem apenas para governar para esse público. O respeito, no entanto, não implica na participação em celebrações que devem estar circunscritas a quem segue determinada religião.

Os apegados às liturgias do cargo certamente serão contra esse posicionamento, mas – entre a liturgia e a autenticidade – optamos por esta última. Afinal, gestos meramente cerimoniais e figurativos não têm nada a ver com atos de fé.

As críticas ao prefeito só não são de todo injustas porque, durante a campanha eleitoral, ele não se fez de rogado na hora de  recorrer a uma providencial visita ao bispo, com direito a foto. Naquele momento da disputa acirrada pelo poder, era imprescindível demonstrar que o candidato respeitava os católicos e, caso eleito, governaria para quem ora e para quem reza.

Claudevane Leite se elegeu e a ausência na primeira procissão após assumir o cargo foi vista por alguns católicos não só como desrespeito, mas também como falta de cortesia com D. Ceslau. Para afastar a pecha de intolerante, pouco tempo depois, ainda no primeiro ano de governo, o prefeito foi convencido a comparecer a um caruru em um terreiro de candomblé. E aí quem caiu de pau foram os evangélicos.

Vida difícil essa de prefeito. Mas insistimos em ficar com a lucidez do bispo. Político não deve ser criticado por suas preferências religiosas, mas pela forma como governam. Nesse aspecto, aliás, haja penitências para nosso prefeito cumprir!

IMPEACHMENT É CORTINA DE FUMAÇA

Ricardo artigo2RICARDO RIBEIRO

 “Quem alimenta a história do impeachment está muito mais interessado no poder do que em qualquer outra coisa. Não se trata de preservar os direitos dos trabalhadores (isso nunca fez parte do projeto da direita) ou de eliminar uma corrupção com a qual a classe política brasileira sempre conviveu e compactuou”.

Sinceramente, neste domingo eu não vou. Não vou servir de massa de manobra em um movimento totalmente manipulado pela mídia e setores da política que tentam desviar a atenção do que de fato interessa.

A intolerância à corrupção é positiva e necessária, mas não é um eventual impeachment da presidente que tornará o Brasil um país melhor. Quem vende essa ideia está mais interessado em enganar a população.

O fato de que a maioria dos parlamentares integrantes da CPI da Petrobras recebeu doações de campanha de empreiteiras investigadas na operação Lava Jato já diz tudo. Há corrupção entre réus, acusadores e julgadores. E se uns forem substituídos, é certo que os substitutos terão as mãos sujas.

Não, não é o impeachment que resolverá os problemas do país. O Brasil precisa se levar mais a sério e refletir com responsabilidade sobre os caminhos que precisa traçar e, inclusive, para exigir mais do governo. Ter postura crítica, sim, mas sem entrar na esparrela imposta por quem não se conforma com a transformação de privilégios de uns poucos em direitos da maioria.

É fato que o governo cometeu erros na gestão da política econômica e agora tenta jogar nas costas dos trabalhadores o peso do ajuste fiscal. Quem ascendeu socialmente agora se vê ameaçado pelo retrocesso, o que justifica a perda de popularidade da presidente.

A questão é que se o timoneiro fosse outro, tucano ou marciano, seria muito difícil não seguir o mesmo receituário. Muitos vão dizer, não sem razão, que se tais restrições são inevitáveis, é porque o governo do PT colocou o país em uma situação complicada.

Vá lá que seja, mas quem alimenta a história do impeachment está muito mais interessado no poder do que em qualquer outra coisa. Não se trata de preservar os direitos dos trabalhadores (isso nunca fez parte do projeto da direita) ou de eliminar uma corrupção com a qual a classe política brasileira sempre conviveu e compactuou. O objetivo maior é destruir o PT, interromper o atual governo e eliminar qualquer possibilidade do ex-presidente Lula reconquistar a presidência em 2018.

Essa turma tem uma pauta diferente das ruas, mas utiliza as ruas e o discurso do impeachment para alcançar seus propósitos menores. Interessante que eles não querem reforma política, o que poderia mudar as regras de um jogo espúrio e origem de tantas mazelas. Por que será?

OSTENTAR É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO?

Ricardo artigo2Muita gente tem optado por uma vida mais discreta, com a intenção de sentir os verdadeiros prazeres que ela oferece sem a necessidade de extrair arremedos de satisfação do voyeurismo e, quiçá, da inveja alheia.

RICARDO RIBEIRO

Os funkeiros tiram onda, como se tivessem inventado a tal moda da ostentação, mas eis que a morte do sertanejo Zé Rico traz à tona o verdadeiro pai da criança. Sem necessidade de exame de DNA.

Com suas grossas correntes e pulseiras douradas, óculos escuros, Zé Rico era para o Brasil profundo o que Neto LX é para a luxúria adiposa. Prova de que a moda é realmente cíclica e os estilos e valores vão e vêm, sem que ninguém saiba exatamente o porquê desses movimentos.

Arriscaria afirmar que a ostentação de hoje tem um pouco a ver com um momento histórico no qual a supervalorização do consumo atingiu o ápice e já não encontra muito sentido. Chega-se a superar a antiquíssima dicotomia entre o ser e o ter, pois o que está realmente em voga é o mostrar. Ou melhor, exibir. Ou, para ficar mais contextualizado: o ostentar.

Se você fica se questionando por que de fato trocou seu smartphone pelo último lançamento, e não encontra razão coerente, o jeito é aliviar o sofrimento fotografando o bibelô e publicando a imagem no Facebook. Vale o mesmo para o carro, a viagem, o prato do restaurante e a bunda de silicone. E viva o pau de selfie!

Felizmente, a moda é randômica e logo essa febre passa. Aliás, muita gente já tem optado por uma vida mais discreta, e não é exatamente por recato ou timidez. A intenção dessas pessoas é viver a vida em sua essência, sentir os verdadeiros prazeres que ela oferece sem a necessidade de extrair arremedos de satisfação do voyeurismo e, quiçá, da inveja alheia.

Quem busca satisfação no ostentar pode sofrer a triste fatalidade de não encontrar satisfação alguma. No máximo, gozará do prazer fugaz de quem tenta uma autoafirmação com o exibicionismo, mas não acha alegria verdadeira nem mesmo no ter. E muito menos no ser…

DOIS EXEMPLOS DE HONRADEZ E DEVOÇÃO À BAHIA

carlos-sodréQuem não sabe que Zezéu, como Prisco, foi um político que existiu para que, como um punhado de outros recolhidos da vida pública, mas de passado honrado, se impeça os “generalizadores” de colocar todo e qualquer portador de mandato ou dirigente público na vala comum dos ladrões, useiros em brandir, com o seu cinismo, hipocrisia e  maledicência que “todo político é ladrão”?

 

CARLOS SODRÉ

Cada vez mais a crise moral e ética no seio da sociedade se amplia e, com força crescentemente avassaladora, vai se ampliando e avultando na vida pública do Brasil, rareando cada vez mais os exemplares de homens públicos dignos, entre nós.

A semana que passou  produziu, para os baianos e para o Brasil, a perda de duas figuras significativas da nossa recente história política: Luís Humberto PRISCO VIANA e José Eduardo Vieira (ZEZÉU) RIBEIRO cuja passagem pela vida pública fez-se, em ambos os casos, com máxima honradez,  sob o inquestionável signo da coerência  e com acendrado espírito público.

Duas personalidades distintas, idades distintas, profissões distintas,estilos distintos, posições ideológicas distintas, militâncias político-partidárias distintas, visões certamente distintas, do mundo e da vida, tinham, na essência, porém, com acentuada preponderância, a ombreá-los, além  da integridade assentada em lastro moral irretocável, austeridade marcante em face dos compromissos éticos que lhes guiava as trajetórias, qualquer que seja o ângulo de visada, de homens públicos como em plenitude souberam se exercer. Nesses tempos temerários e surrealistas , onde a desonestidade e o despudor vão grassando sem-cerimoniosamente, traduzidos pela depravação dos costumes, pelo agigantamento da corrupção, pela perseguição do ganho fácil e até mesmo pela desfaçatez dos que insinuam-se heróis da Pátria (como autoridade, em cumprimento de dever de ofício, se auto-proclamando esperança nacional em primeira página de jornal), a ausência da austeridade nos homens públicos, políticos ou não, nos faz tanta falta quanto nos faz corar de vergonha…

Mas, Prisco e Zezéu, mais que por austeridade, também coincidiam na devoção à nossa terra, na crença de que, ainda que mais extenso, o caminho da decência  era imperiosamente a trilha por onde os ideais que cultivavam e defendiam – cada qual ao seu modo e de acordo com a sua compreensão das questões essenciais do Brasil e do nosso povo – deviam ser conduzidos em busca de sua afirmação. Incansáveis, civicamente corajosos, profundamente ciosos da responsabilidade com as nossas causas maiores, zelosos com o proceder e com as suas respectivas histórias pessoais, dotados de raro espírito público, saem da nossa companhia para atender a divina convocação, deixando, atrás de si, um rastro luminoso de atuação benfazeja pelas contribuições de seus fazimentos em favor de nossa gente e sobretudo pelo legado grandiloquente de se haverem exercido como políticos de escol, induvidosamente paradigmáticos, exemplos inquestionáveis para a pedagogia que precisa ser estendida e alentada de como devem se pautar os que fazem vida pública.

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ITABUNA ENTRA NA LUTA PELA PAZ

Aldenes-Meira_05Aldenes Meira

Por incrível que pareça, existe um fator positivo quando se chega ao fundo do poço. É que não dá para descer mais e a única alternativa é tentar subir. Ao que parece, é isso que Itabuna busca neste momento em que se encontra totalmente saturada com a violência. A cidade simplesmente cansou das manchetes negativas, dos homicídios cotidianos, dos índices que evidenciam a falência de nossos mecanismos de controle social e da segurança pública.

Na condição de representante do poder legislativo municipal, é meu dever – bem como de todos os membros da Câmara de Vereadores – cobrar providências que venham a devolver a paz há tanto perdida em nossa cidade. Mas é necessário, antes de tudo, refletir sobre as causas que levaram Itabuna a chegar a essa tragédia, revelada em estatísticas terríveis, como a que nos coloca em primeiro lugar no ranking de homicídios de jovens na faixa etária de 12 a 18 anos, entre os municípios com mais de 200 mil habitantes (levantamento elaborado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Unicef, Observatório de Favelas e Laboratório de Análise da Violência do Estado do Rio de Janeiro).

Os dados dessa pesquisa foram coletados em 2012, mas – números à parte – o que se vê no dia-a-dia dispensa qualquer dado estatístico. A realidade “nua e crua” está nas ruas, no sangue derramado em uma guerra sem fim, no desespero das famílias destruídas, no medo de quem perdeu a liberdade por medo da violência. “Basta!” – é esse o grito de nossa sociedade.

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SOBRE: BBB, CARNAVAL E O FALSO INTELECTO

Andreyver LimaAndreyver Lima
O brasileiro gosta de tradições. Ele as preserva inveteradamente. Isso é positivo até que ponto?
Pena quem nem sempre as tradições são, digamos, dignas de serem mantidas.
 .
-Apenas lembre que tradição é diferente de cultura.
 .
Um exemplo é: todos os anos falamos mal do Big Brother. E sobre o porquê de não ler um livro.
-Ok, quantos livros você leu da edição anterior do programa até hoje?
.
Nós gostamos do programa até por que ele sempre existiu. Apenas televisionaram a vida do nosso vizinho e as nossas. Quem nunca deu uma olhadinha na vida da casa ao lado? Transformaram as novelas em algo mais real. Mas você nunca assistiu novelas né? Sinto te dizer que o BBB é o facebook em outro canal.
 .
Particularmente, não assisto, mas dou minhas ‘espiadas’. Dizer que não assiste ao programa te torna mais inteligente? Infelizmente não. Mas te transforma num hipócrita, que usa uma máxima que só te leva para o canto de onde estás cercado no rebanho.
 .
Próximo do BBB tem o carnaval. Aquela data em que tradicionalmente vamos criticar os gastos do governo, as semi-nuas e que usamos para dizer que o povo gosta mesmo é do pão e circo.
.
– Você está certo. Até porque você nunca fez piada ou tomou uma cervejinha pra ‘esquecer os problemas né? – Seu sinal de hipocrisia está apitando.
 .
A sensação de que somos superiores ao criticar coisas ‘popularescas’ já está enraizada e deve ser cortada de nosso cotidiano.
Cria-se um falso intelecto. Um placebo de integridade de dar inveja a Dona Doroteia.
 .
Respeito sua opinião, caso não concorde comigo. Já estamos avançados o suficiente para entender e respeitar o que cada um quer.

DISCÍPULOS DO CACHORRO

Ricardo artigo2Ricardo Ribeiro

Aprender com os próprios erros é atitude recomendável, mas aprender com os erros (e acertos) dos outros é sinal de maior inteligência. Pelo mundo afora, vários países e grandes metrópoles já enfrentaram problemas com o abastecimento de água ou conseguiram antevê-los e evita-los. Eles sabem que o recurso é finito e que, para não ficar desprovido do mesmo, é preciso usá-lo com prudência e parcimônia.

Uma excelente reportagem mostra que a cidade de Nova York enfrentou crise de abastecimento na década de 90, mas conseguiu a proeza de reduzir em um terço o consumo de água em 25 anos, ao mesmo tempo em que sua população crescia em 1 milhão de habitantes.  Fez mágica? Não, simplesmente melhorou o sistema de distribuição, com o objetivo principal de reduzir de maneira drástica o desperdício.

Ao lhe perguntarem sobre o porquê de investir em uma melhor gestão do sistema, ao invés de buscar novos mananciais e realizar obras caras, um antigo gestor do sistema de abastecimento da cidade americana afirmou que a segunda opção pode ser comparada ao cachorro que corre atrás do próprio rabo.

Saber que índices de desperdício de água não passam de 7% na Alemanha e de 2% no Japão é de matar qualquer brasileiro decente de vergonha. Num mundo globalizado, recursos e tecnologia para atingir aqueles percentuais estão ao acesso de todas as nações, mas por aqui, infelizmente, não se nota grande interesse em aprender com o acerto dos bons. Prefere-se, de maneira estúpida, imitar o cachorro!

De acordo com o Instituto Trata Brasil, a perda de água tratada nas 100 maiores cidades brasileiras chega a 39,4%. Se esse já é um número de causar vexame, o que dizer dos 70,4% de desperdício em Porto Velho (RO) e 73,91% em Macapá (AP). São Paulo, que enfrenta a maior crise de abastecimento de sua história, joga pelos vazamentos nada menos que 30% da água retirada de seus combalidos reservatórios.

No caso da capital paulista, a situação será enfrentada à maneira “canina”: com obras para captar água em novos mananciais. Quanto à deficiência do sistema, não se tem notícia de qualquer iniciativa digna de nota.

A propósito, em nossa querida Itabuna as informações disponíveis indicam que as perdas de água tratada ficam em torno de absurdos 50%, muito em função de uma rede de distribuição obsoleta e da falta de capacidade de investimento da Empresa Municipal de Água e Saneamento. A velha Emasa passa a vida correndo atrás do próprio rabo.

Vários itabunenses, principalmente os que moram em áreas mais elevadas, já convivem há muito tempo com a falta de água. Por aqui, também não se tem notícia de ações para reduzir o considerável volume que é desperdiçado, mas a solução vem aí: em breve, se tudo der certo, teremos a barragem do Rio Colônia e um aumento considerável na quantidade de água a ser distribuída… E jogada fora, certamente.

É ou não é uma cachorrada?

Sorry. No data so far.




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